Prólogo - Tenebris livro 2 - A Herdeira do Sheol

Publicado: 10/01/2019

Sua família estava segura, enfim o que ele tanto havia desejado, acontecia. Não era merecedor, mas ainda assim era completo, inteiro novamente. O domínio dos três reinos estava em suas mãos e nada poderia destruir sua posição ou família.

Mas Heylel se esqueceu que acima dele existia uma soberania, a guarda daquele que é o Criador de todas as coisas, o último feito de Naiara chamou a atenção celestial, não iriam permitir que ela se levantasse como Herdeira do Sheol.


 


A claridade alcançou seus olhos, uma luz forte invadiu-o, fazendo com que retomasse os sentidos de imediato. Gabriel colocou-se em pé tão rápido que sentiu o mundo rodar, tudo ainda estava girando quando uma mão grande e quente tocou o seu ombro, segurando-o com uma força desnecessária. Ele não pôde acreditar no que viu quando virou-se. A sua frente um homem alto com um pouco mais que dois metros, sobre o peito nu duas tiras grossas e largas de couro cruzada, a calça branca sem uma única mancha era de um tecido grosso e largo e os pés tocavam o chão que estava completamente coberto por uma fumaça espessa. Tudo era extremamente branco naquele lugar, mas não foi a brancura ao seu redor ou o tamanho do homem a sua frente, muito menos as vestes que pareciam uniforme de uma guerra bíblica que despertou a atenção de Gabriel, mas sim as duas imensas asas brancas que se abriam nas costas do homem que o olhava com uma certa severidade.

— Mas que diabos está acontecendo aqui? — a pergunta explodiu dos lábios de Gabriel.

— Atente-se para seus modos criança.

O som da voz invadiu todo o ser de Gabriel, o fazendo arrepiar completamente. Seus pés se moveram levemente, o levando dois passos para trás, fazendo assim com o que homem andasse dois passos à frente, quase uma dança perfeita.

— Acalme-se criança, não lhe farei mal.

Novamente a mão do homem foi ao ombro de Gabriel, detendo assim qualquer movimento do menino.

— Estou calmo, eu acho, mas quem é você? Aliás o que estou fazendo aqui? Na verdade, onde é “aqui? — questionou em meio à confusão de pensamentos.

— Me chamo Miguel, general da guarda celestial.

Gabriel explodiu em risos. Ria de tal maneira que lágrimas escapavam de seus olhos e sua reação fez com que o homem a sua frente se afastasse um pouco e sua face demonstrava todas as dúvidas que aquela reação inesperada causou.

— Não creio que essa seja a reação certa para este momento criança.

— Acordo no meio do nada, cheio de gelo seco ao meu redor, um cara imenso e pelado na minha frente, fantasiado de cupido e não quer que eu dê risada?

As palavras saíram rápidas demais, ainda em meio ao riso que teimava em escapar.

— Realmente não se lembra de nada, não é? — Quis saber Miguel.

— Não me lembro do quê? Estava em casa, jogando vídeo game no meu quarto há dois minutos atrás...

Não precisou ser dito mais nada, Miguel aproximou-se de Gabriel, enquanto ele ainda falava e tocou a testa do rapaz por apenas dois segundos, foi o suficiente para que o corpo dele caísse ao chão e um grito alto, misturado ao choro, saísse de sua garganta. Toda a sua memória foi devolvida de uma só vez, Gabriel não aguentou a dor da traição da amiga, saber por tudo o que havia passado, que havia sido esquecido e o pior, saber que ela simplesmente apagou Gabriel de sua vida. Miguel abaixou-se ao lado do rapaz e o ajudou a colocar-se em pé, segurando-o com firmeza, com receio de que voltasse a cair.

— Isso é somente o começo criança!



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